ADAPTAÇÃO
ESCOLAR
Na nossa prática profissional,
tem sido comum no início de ano letivo escolar lidarmos com o chamado período
de adaptação dos educandos. São crianças e adolescentes que se encontram num
momento de inauguração de uma nova realidade escolar e, consequentemente, de um
novo momento existencial.
Contudo, falar em adaptação
escolar para crianças e adolescentes por vezes nos sugere, equivocadamente e
talvez pela infelicidade do nome, numa formatação que não leve em conta as
peculiaridades do educando. Assim, sua individualidade teria que ser encaixada
e moldada dentro de uma instituição de ensino.
Ora, é óbvio que qualquer
instituição possui suas regras e normas mínimas que precisam ser observadas
para o seu próprio funcionamento. Entretanto, mesmo com todas as nossas
limitações e falhas, tentamos nos nortear pelo respeito, resgate e promoção
justamente da individualidade do educando. Contudo, procurando ir além deste
importante aspecto, queremos enfatizar outro muitas vezes deixado de lado. Isto
é, gostaríamos de ressaltar o significado de um não entrosamento, num sentido
mais amplo, do educando com a sua escola.
Geralmente, tanto a criança
quanto o adolescente vivenciam a escola como sua primeira inserção no mundo
fora do contexto familiar. A maneira como esta inserção ocorre pode nos servir
de parâmetro de como está o seu processo de amadurecimento psicológico, já que
consideramos que é na escola que se exercita inicialmente as ferramentas para
caminhar adquiridas até então. Nesta
perspectiva, a escola assume uma relevância além da importante aquisição de saberes.
Pois é nela que o educando se relaciona com um grupo, aprende a ceder, a reivindicar,
a expressar sua afetividade, desejos, impotências, conflitos, sonhos e rebeldias.
A escola é um lugar que lida com adultos distintos de seus pais, com regras, horários,
desafios e descobertas fora da proteção familiar. Lá que se depara, basicamente
pela primeira vez, com limites e desafios; que tem que socializar e relacionar
com colegas que não são obrigados a aceitá-lo e que até o criticam. Lá onde os
grupos surgem, talvez pela primeira vez, por afinidades... Assim, muitas vezes
quando uma criança ou um adolescente está apresentando qualquer tipo de
dificuldade na escola, pode estar sinalizando que está tendo dificuldades em
algum aspecto de sua vida e que algo precisa ser mais detidamente examinado.
Quem sabe, uma falha da própria escola... Porque não?
Desta forma, é de extrema
relevância não só a escola, mas, principalmente, os pais acompanharem
atentamente a qualidade do relacionamento e do processo de aprendizagem do
educando no ambiente educacional, com suas descobertas e buscas.
Infelizmente, muitas vezes alguns
pais, por não estarem atentos a este aspecto tão importante, deixam esta
responsabilidade única e exclusivamente para os profissionais de educação.
Desconsideram o fato de que ainda são as grandes referências de seus filhos,
mesmo que muitas vezes questionadas e contestadas.
Temos a convicção de que a
parceria família-escola, tendo um referencial comprometido com o afeto e a
responsabilidade, seja a mais profícua e interessante para o acompanhamento
tanto da criança quanto do adolescente no seu processo de amadurecimento
psicológico.
E estar atento, acompanhar e se
posicionar como parceiro da escola de seu filho, é sem dúvida, uma demonstração
de amor.
Paulo Bonfatti
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